domingo, 3 de janeiro de 2010

BATISMO E PLENITUDE NO ESPÍRITO SANTO - Devemos buscar um "batismo no Espírito Santo" após a conversão? Que significa ser cheio do Espírito Santo? - PARTE 1


por WAYNE GRUDEM


Tradicionalmente, os livros de teologia sistemática não têm incluído um capítulo sobre o batismo no Espírito Santo nem sobre a plenitude do Espírito Santo como parte do estudo da "ordem de salvação", os passos através dos quais os benefícios da salvação se aplicam à nossa vida. Mas com a disseminação do pentecostalismo que se iniciou em 1901, com a influência bem ampla do movimento carismático nas décadas de 1960 e 1970 e com o notável crescimento das igrejas pentecostais e carismáticas pelo mundo inteiro desde 1970 até o presente, a questão de um "batismo no Espírito Santo" distinto da regeneração adquiriu maior proeminência. Cristãos de ambos os lados da questão concordam em que alguma espécie de segunda experiência aconteceu a muitas pessoas após a conversão delas, e por esse motivo uma questão muito importante é como entendemos essa experiência segundo a Bíblia e que categorias das Escrituras se aplicam de maneira mais adequada a ela.

EXPLICAÇÃO E BASE BÍBLICA


A CONCEPÇÃO PENTECOSTAL TRADICIONAL

O tema deste capítulo se tornou importante hoje porque muitos cristão dizem ter experimentado um "batismo no Espírito Santo" que veio depois que eles se converteram e trouxe grandes bênçãos para a vida deles. Alegam que a oração e o estudo da Bíblia se tornaram muito mais importantes e eficazes, que descobriram nova alegria na adoração, e muitas vezes dizem que receberam novos dons espirituais (em especial, e com mais freqüência, o dom de falar em línguas).

Essa posição pentecostal ou carismática tradicional é sustentada usando-se a Bíblia da seguinte maneira:

1) Os discípulos de Jesus eram crentes nascidos de novo muito antes do dia de Pentecostes, talvez durante a vida e ministério de Jesus, mas com certeza na hora em que Jesus, depois da ressurreição, "soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo" (Jo. 20:22).

2) Jesus no entanto ordenou a seus discípulos que "não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai" (At. 1:4), dizendo-lhes: "... sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias" (At. 1:5).  Ele lhes disse: "... recebereis poder ao descer sobre vós o Espirito Santo" (At. 1:8). Os discípulos obedeceram então à ordem de Jesus e esperaram em Jerusalém que o Espírito Santo viesse sobre eles de modo que recebessem nova capacitação para testemunho e ministério.

3) Quando os discípulos já haviam esperado 10 dias, chegou o dia de Pentecostes, línguas de fogo pousaram sobre eles, "todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem" (At. 2:4). Isso mostra claramente que eles receberam um batismo no (ou com o) Espírito Santo. Embora os discípulos nascidos de novo muitos antes do Pentecostes, nesse dia eles receberam um "batismo com o Espírito Santo" (At. 1:5 e 11:16 referem-se a esse evento dessa maneira), subsequente à conversão e que resultou em grande capacitação para o ministério e também no falar em línguas.

4) Os cristãos hoje, assim como os apóstolos, devem pedir a Jesus um "batismo no Espírito Santo" e, dessa forma, seguir o padrão da vida dos discípulos. Se recebermos esse batismo no Espírito Santo, isso resultará em muitos mais poder para o ministério em nossa vida, exatamente como aconteceu na vida dos discípulos, e também muitas vezes (ou sempre, de acordo com alguns professores) no falar em línguas.

5) Apoio para esse padrão - em que pessoas primeiro nascem de novo e mais tarde são batizadas no Espírito Santo - é visto em várias outras instâncias no livro de Atos. É visto, por exemplo, em Atos 8, onde os habitantes de Samaria primeiro se tornaram cristãos quando "deram crédito a Filipe, que os evangelizava a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo" (At. 8:12), mas só mais tarde receberam o Espírito Santo quando os apóstolos Pedro e João vieram de Jerusalém e oraram por eles (At. 8:14-17). Outro exemplo é encontrado em Atos 19, em que Paulo chegou a Éfeso e encontrou "alguns discípulos" (At. 19:1). Mas, "impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam" (At. 19:6).

Todos esses exemplos (At. 2, 8, às vezes 10 e 19) são citados pelos pentecostais para mostrar que um "batismo no Espírito Santo" posterior à conversão é um ocorrência normal para os cristãos do Novo Testamento. Portanto, arugmentam, se era norma para os cristãos em Atos ter essa segunda experiência algum tempo depois de conversão, não deveria ser normal também para nós hoje?

Podemos analisar essa questão do batismo no Espírito Santo fazendo 3 perguntas:

1) Que significa a frase "batismo no Espírito Santo" no Novo Testamento?
2) Como devemos entender as "segundas experiências" que sobrevieram aos crentes nascidos de novo no livro de Atos?
3) Existem outras expressões bíblicas, tais como "cheio do Espírito Santo", que sejam mais apropriadas para descrever uma capacitação com o Espírito Santo depois da conversão?


FONTE:  Livro TEOLOGIA SISTEMÁTICA - Autor: WAYNE GRUDEM - páginas 635-637 - Edições Vida Nova.
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