quarta-feira, 30 de novembro de 2011

ESPÍRITO DE RELIGIOSIDADE - PARTE 6


Existe um material excelente que fala sobre deixarmos de lado a religião e começarmos de verdade a viver a vida com Deus que Ele quer que vivemos. Por muito tempo vi que estava vivendo uma religião, mesmo sendo crente, hoje sou livre e vivo para Jesus Cristo, buscando conhecê-Lo a cada dia, vivendo na direção do Espírito Santo, ouvindo diariamente a Sua voz, e me entregando cada dia ao amor de Deus que Ele derramou em minha vida a partir do momento que recebi Jesus Cristo no meu coração.

Os materiais de apoio são:


1) DVD PR. RICARDO GONDIM - HÁ CURA PARA AS FERIDAS RELIGIOSAS
    Você pode digitar no Google e tentar baixá-lo. Se não conseguir, vá até o YouTube e assista-o por partes.


2) LIVRO DE "POR QUE VOCÊ NÃO QUER MAIS IR À IGREJA?" - WAYNE JACOBSEN E DAVE COLEMAN
    Pode também procurar no Google e baixá-lo ou lê-lo online em http://www.slideshare.net/rlgodnim/porque-voce-no-quer-mais-ir-a-igreja
    Pode também comprá-lo em uma loja de livro.



FIM da série de "Espírito de Religiosidade".




PR. ANDERSON SERAPHIM
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ESPÍRITO DE RELIGIOSIDADE - PARTE 5



Casos de religiosos na Bíblia:

Caim, um religioso (Gênesis capítulo 4)
Caim percebeu que Deus não se agradou de sua religião, enquanto que se agradou das atitudes de seu irmão Abel. Ao invés de buscar a transformação de suas ações pelo Espírito de Deus, Caim preferiu livrar-se daquele que estava andando em Espírito. O crente religioso não gosta de estar perto do crente que anda no Espírito.

Saul, um religioso
Saul era o tipo de “crente” que sempre “obedecia” a Deus pela metade. Tudo o que Deus mandava Samuel dizer para Saul fazer, este o fazia pela metade. Deus não se agradou dele. Chegou um momento em que Samuel teve de confrontá-lo e dizer: “O Senhor tem tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à Sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar!” (1ª Sm. 15:22,23). Quantos crentes são religiosos por não entenderem isto, acham que suas obras são mais aceitáveis do que sua obediência a Deus. Primeiro obedecemos à voz de Deus, depois fazemos as boas obras para Ele, por meio do poder de Cristo em nós!

Israel, povo religioso
Israel serviu a Deus verdadeiramente por diversas vezes. Mas quantas vezes Israel tornou-se religioso! Houve um tempo em que Israel se aproximava de Deus só com os lábios, mas o seu coração estava distante dEle (Is. 29:13). Fico imaginando muitos crentes assim hoje que vão às reuniões da Igreja e dizem ser santos só da “boca para fora”, enquanto o coração deles ama o mundo! Muitos são hipócritas! Em outro tempo, Israel realizava diversos jejuns a Deus, mas não recebiam Suas respostas. Chegaram a questionar porque o Senhor não respondia seus sacrifícios de jejuns, e Deus disse que era porque o verdadeiro jejum que Deus queria não era aquele, mas sim que se fosse sensível às necessidades dos perdidos sem o amor de Deus (Is. 58:1-10), estavam confiando em suas obras e não estavam ouvindo a voz de Deus! Ainda noutro tempo, Deus disse ao povo que não queria mais suas festas, seus holocaustos e nem seus cânticos, por causa de sua rebeldia e religiosidade (Amós 5:21-23).

Tradição de homens acima da Bíblia (Mt. 15:6-8)
Quantos crentes e denominações colocam seus ensinamentos, suas tradições acima dos ensinamentos da Palavra de Deus! Afirmam: “Tal prática não faz parte de nossa identidade denominacional!” (ainda que faça parte da Bíblia); “Nós, denominação X não fazemos isto porque isto é coisa da denominação Y, mesmo estando na Bíblia!” Religiosidade!

O Maior no reino dos céus (Mt. 18:1-4)
Quantos crentes preocupados em serem maiores e melhores do que outros, que época nós estamos vivendo! Crentes e denominações que afirmam: “Deus é Deus aqui desta denominação ...” “A denominação X conhece o que realmente é o poder de Deus, as outras não!” “Em breve, seremos a maior denominação do país!” “Recebemos o prêmio de melhor gravadora, editora, ministério, do Brasil!” e etc. Que religiosidade!

Os Fariseus
Um braço do Judaísmo que fazia de tudo para seguir a Lei de Deus à risca. Louvável atitude, porém, os fariseus se tornaram religiosos, começavam a se achar melhores do que os outros judeus (Lc. 18:10-12); cumpriam bem os rituais religiosos, mas através de suas atitudes falsas e egoístas anulavam sua fidelidade a Deus (Mateus capitulo 23). O mesmo espírito que atuava neles é o que atua em muitos crentes hoje. Quantos líderes cristãos pregam uma coisa e vivem outra (Rm. 2:20-23)! Religiosidade!

Judas Iscariotes
Participou das mesmas reuniões de ensinamentos que os outros apóstolos e discípulos, viu os mesmos milagres de Jesus, andou junto na mesma fé, mas não deixava nada penetrar em seu coração para transformar sua vida! Religiosidade!

A Mulher Samaritana (João capítulo 4)
Nada preenchia o vazio do seu coração, pois não teve, anteriormente, um encontro verdadeiro com Deus. Estava mais preocupada com os outros do que consigo mesma (4:9,10); estava no sexto casamento e ainda não estava satisfeita (4:16-18); não aceitava ser confrontada com a verdade (4:18,19 – fugiu do assunto); e preocupada com qual era o local correto de adorar a Deus (4:20). Quantos crentes, já salvos, continuam tendo um vazio em seu coração e estão vivendo as mesmas coisas que esta mulher! Religiosidade!

Simão, o mágico (Atos capítulo 8)
Crentes como Simão são pessoas que se convertem a Cristo, mas que continuam religiosos, tendo motivações erradas (8:18-24). Religiosidade!

Os filhos de Ceva (At. 19:8-17)
Quantos  crentes veem outros que o tem o poder de Deus sendo usados por Ele e tentam imitá-los sem conhecer realmente o poder do Espírito Santo, acham que com sua religião vazia vão conseguir alguma coisa!

A Igreja de Éfeso – Ap. 2:1-7
Esta igreja era religiosa. Eles eram crentes dedicados à obra de Deus e eram perseverantes (2:2); eram apologistas, amavam defender a Palavra de Deus (2:2); tinham maturidade e estrutura espiritual para suportarem provações (2:3); porém eram religiosos, abandonaram o primeiro amor, não viviam por ele (2:4). Quantas igreja são assim hoje! Religiosidade!

A Igreja de Sardes – Ap. 3:1-6
Esta igreja tinha muitas obras para Deus (3:2). Provavelmente era uma igreja grande, tinha muitas congregações fundadas, ganhavam almas, tinham muitos crentes reunidos em cada culto, etc., mas Deus disse que esta igreja tinha “nome de que vive, mas estava morta”, porque não estavam vivendo em santidade diante dEle. De que adianta uma igreja assim? Conheço igrejas assim! Religiosidade!

A Igreja de Laodicéia – Ap. 3:14-22
Esta igreja achava que estava tudo bem com ela, mas quem dá a sentença final não são os crentes da igreja, não são os pastores, não é nenhum ser humano, é Deus, e Ele disse que ia vomitar esta da boca dEle. Uma igreja que achava que não precisava de mais nada, já tinham “conquistado muitas coisas no reino espiritual e físico”, não é mesmo? Religiosidade!



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ESPÍRITO DE RELIGIOSIDADE - PARTE 4



Uma das grandes obras do espírito de religiosidade é convencer os crentes de que há apenas uma forma de adorar a Deus, nas seguintes áreas:

1)      ORAÇÃO
Crentes que dizem que orações feitas em um certo turno do dia são respondidas mais do que em outro. É comum ouvir nos círculos evangélicos que Deus responde mais as orações feitas às madrugadas do que feitas em qualquer outro horário. Religiosidade!
Se há um padrão a ser seguido, de fato não é este. A Bíblia nos ensina que devemos “orar sem cessar” (1ª Ts. 5:17) e “orar o tempo todo no espírito” (Ef. 6:18). Ainda que na Bíblia encontremos exemplos de orações às madrugadas e em outros turnos, o certo é que Deus quer ter um relacionamento conosco durante todo o nosso dia, e não existe uma fórmula certa para que Ele nos ouça em determinado período.

2)      LUGAR DE ADORAÇÃO
Já ouviu crentes dizerem que no monte Deus se manifesta de modo mais sobrenatural do que em qualquer outro lugar? Religiosidade! O que eu acho interessante é que tais crentes nunca encontram tal manifestação na reunião da Igreja de Deus no templo, ou nas reuniões nas casas, ou ainda, nos devocionais pessoais de cada um em sua própria casa. Encontramos referências onde Deus se manifestou poderosamente em montes, como a Moisés diversas vezes no monte Sinai, para Elias, Israel e os 450 profetas de Baal (1ª Rs. 18), e até o próprio Jesus se transfigurou para Pedro, Tiago e João em um monte (Mt. 17), mas também houve manifestação poderosa de Deus onde alguns irmãos da Igreja estavam reunidos (At. 4:23-31), bem como outras grandes manifestações. Em João capítulo 4, encontramos uma mulher samaritana querendo saber de Jesus qual era o local onde a glória de Deus se fazia mais presente, se era o monte Gerizim, dos samaritanos, ou Jerusalém, dos judeus, e Jesus respondeu que o Pai é adorado “em espírito e em verdade” (Jo. 4:20-24). Não há um local melhor do que outro para adoração, onde adorarmos Deus em espírito e em verdade, este é o local correto.

3)      ESTILOS E INSTRUMENTOS MUSICAIS
Crentes que afirmam que certos instrumentos e estilos musicais são corretas formas de adoração enquanto que outros não. Conheço crentes que afirmam que os únicos instrumentos corretos para adoração são instrumentos da música clássica, enquanto que bateria, guitarra e instrumentos de percussão são instrumentos de adoração ao diabo. Crentes estes que afirmam que o único estilo musical correto é o estilo clássico. Religiosidade! O Salmo 150 é uma das várias passagens em que Deus nos mostra em que pode ser adorado com toda sorte de instrumentos, desde instrumentos de cordas até os de percussão. Quanto ao estilo, Deus não está preocupado com isto, e sim com o coração. Em nossas igrejas evangélicas cantam-se louvores de hinários cristãos aos estilos de Marcha, Valsa, etc., e querem proibir que estilos contemporâneos não proibidos por Deus. Contradição! Religiosidade! Deus é adorado em espírito e verdade, instrumentos, estilos são apenas expressões de adoração, com ou sem eles é possível adorar a Deus.

4)      PREGAÇÃO
      Há crentes que julgam uma mensagem como sendo de Deus se ela é homileticamente correta. O padrão de Deus para julgar-se uma pregação não é pela Homilética, Retórica ou Oratória; estes são métodos criados por homens para facilitar a transmissão das pregações. Métodos criados por homens que substituem o padrão de Deus, nós já vimos, é religião. Paulo mostra a diferença entre o padrão humano e o padrão de Deus para pregação em 1ª Coríntios capítulo 2 – sabedoria de Deus!

5)      SERVIÇO A DEUS
Crentes que se gloriam sobre outros porque exercem ministérios, enquanto outros não; crentes que se gloriam porque desempenham seus ministérios melhores do que outros; crentes que medem sua espiritualidade pelo quanto se dedicam aos serviços da Igreja em um templo. Isto tudo é religião! A Bíblia nos ensina em 1ª Coríntios capítulo 13 que todo o serviço prestado a Deus, diretamente para Ele ou através dos homens, deve ser feito em amor; Cristo também ensinou que as pessoas nos conhecerão como Seus servos não pelo quanto prestamos de serviço, mas por quanto demonstramos amor para com outros (Jo. 13:35). De que adianta ser tão dedicado aos serviços a Deus e destruir as almas humanas com palavras e atitudes que são contra o caráter de Deus? Quantos crentes super dedicados ao templo da Igreja afirmam: “Tem que agradar a Deus, não aos homens!” Irmãos, leiam a carta de Filipenses e vejam o quanto devemos tratar bem os seres humanos e especialmente nossos irmãos em Cristo.



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PR. ANDERSON SERAPHIM
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ESPÍRITO DE RELIGIOSIDADE - PARTE 3



Este espírito maligno produz nos corações dos crentes várias atitudes contra Deus, principalmente as seguintes:

1)      AUTO-JUSTIFICAÇÃO
    Faz com que, ao invés de admitirmos nossa religiosidade, justifiquemos diante dos outros as ações que estamos tendo. Pessoas assim afirmam: “Não olhem para mim, gente, olhem para Cristo!” Paulo disse para os crentes de Corinto serem imitadores dele (1ª Co. 4:16; 11:1;  Fp. 3:17). “Não estamos punindo o pecado porque ... você sabe, né, este irmão é de muita influência na igreja!” “Eu preciso mudar, mas você sabe como que é, né? Não sei se realmente quero mudar!” etc., etc., etc. Uma boa ilustração bíblica disto foi o fariseu diante do publicano (Lc. 18:10-14).

2)      MISTICISMO
Crentes que dão extrema importância às coisas sobrenaturais (Mt. 7:22,23). É necessário vivermos o sobrenatural de Deus em nossas vidas, e até buscarmos mais, mas também devemos ser racionais, como o Senhor espera de nós, sóbrios.

3)      SECULARISMO
São crentes críticos que não acreditam em nada do que é espiritual ou sobrenatural. São frios, céticos, incrédulos, e desprezam as experiências espirituais de outros. Tudo querem ver com todos os pingos e “is” na Bíblia. Afirmam: “Onde tem isso na Bíblia?” Claro que devemos respaldar nossa fé e prática na Palavra do Senhor, mas há muita coisa que seguimos que não está explicitamente escrito na Bíblia, mas se baseiam em princípios contidos na mesma.



COMO SABER SE EU ESTOU INFLUENCIADO OU ATÉ DOMINADO POR ESTE ESPÍRITO MALIGNO?

Como vimos, na definição bíblica sobre “espírito”, o espírito de religiosidade (demônio) atua sobre os crentes a fim de fazer com que seus espíritos se tornem religiosos, ou seja, em um estado permanente de religiosidade. Como ele sabe que não vai conseguir nos separar de Cristo, ele tentará de tudo para fazer com que não vivamos a vida de Cristo em sua plenitude (João 10:10) no resto dos dias que nos faltam. O maior prazer deste espírito é convencer crentes de que estão realmente vivendo tudo o que Deus tem para eles.

E como saber se você está sendo influenciado ou até já está dominado por este espírito?

Os sintomas principais de que nosso espírito já se tornou religioso são:

1)      Quando achamos que somos cumpridores dos nossos deveres religiosos
     Quantas vezes pensamos: “Ah, eu vou três vezes por semana à igreja, dou o meu dízimo sem falhar, canto os hinos, leio minha Bíblia, faço minhas orações ...” Se você está acomodado com estes pensamentos é porque você já se tornou um religioso, e já está dominado pelo espírito da religiosidade há muito tempo. Para você não importa se a pregação na Igreja está transformando sua vida, o importante é apenas ouvir o pastor pregar, não importa se está cantando hinos e sendo alimentado pelo Espírito de Deus, o que importa para você é apenas cantar, mecanicamente, isto é religião.

2)      Quando achamos que só orar, ler a Bíblia e jejuar são os únicos caminhos que agradam a Deus
    Certamente, tudo isto é essencial, mas quando isto se torna o apoio espiritual das nossas vidas, já nos tornamos religiosos. O objetivo de Deus e a vida abundante de Cristo para nós não consiste em seguir disciplinas espirituais, mas consiste em ter um relacionamento constante com Deus, vivendo o Seu amor em nós e ouvindo constantemente Sua voz em nossos corações. Disciplinas espirituais são essenciais, mas não são substitutos para o relacionamento com Deus. Quando pensamos que relacionar-se com Deus é somente fazer estas coisas, estamos vivendo uma religião.

3)      Quando achamos que só existe uma forma litúrgica de adorar a Deus
     Muitos crentes pensam que somente sua forma litúrgica é que agrada a Deus, a forma de adorar de outros irmãos é antibíblica, dizem eles. Irmão, que te dizer que nem a sua liturgia e nem a do outro irmão adoram a Deus se, de fato, vocês estão confiando nela para chegar-se a Deus. Isto é religião! Para chegarmos a Deus não é através de uma liturgia e sim através de um relacionamento autêntico com Ele!

4)      Quando tudo o que você faz na Igreja é um substituto do relacionamento com Deus
     Existem muitos crentes, líderes, diáconos, pastores, dirigentes de congregação que são puramente religiosos. Ninguém ou poucos percebem que eles já se tornaram religiosos, nem eles mesmos percebem. São religiosos porque confiam em seus títulos, em suas obras, no quanto sua igreja conquistou, quantas congregações fundou, quantos ministérios a igreja tem, quantos anos estão naquela igreja, quantos aconselhamentos dão, quantos demônios expulsam, quantos cargos tem, o quanto bonito cantam ou lideram, quantas funções tem, o quanto se afastam do mundanismo, quanto “santos” são, quanto tempo gastam orando e lendo a Bíblia, quanta eficácia possuem naquilo que fazem, quantas vezes estão na igreja semanalmente, o quanto são referência para outros, o quanto se justificam diante dos outros através de suas ações, o quanto machucam outros, mas sentem-se bons, etc., etc., e etc. Isto tudo é RELIGIÃO! A vida abundante em Cristo é ser alimentado por Ele, ouvir a Sua voz diariamente, sentir o Seu amor atuando em nossas vidas, e sermos inteiramente dependentes dEle. A vida cristã não é EU vivendo para Deus, mas sim CRISTO VIVENDO EM MIM! Sabe porque muitos crentes não vivem mais para Deus, não vencem mais seus sentimentos e problemas, decidem-se num apelo e noutro dia voltam aos seus pecados, é porque estão vivendo a vida cristã na força de sua carne, não estão deixando Cristo viverem nelas. VIDA CRISTÃ, REPITO, É CRISTO VIVENDO EM NÓS (Gálatas 2:20).


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PR. ANDERSON SERAPHIM
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ESPÍRITO DE RELIGIOSIDADE - PARTE 2



A palavra para espírito, na Bíblia, é RUWACH, na língua hebraica e PNEUMA, na língua grega. Ambas palavras significam ESPÍRITO, e estas mesmas palavras são usadas para referirem-se:
1)      ao Espírito Santo de Deus.
2)      ao espírito do homem, tanto à sua parte imaterial e incorpórea, quanto ao seu estado de espírito (exemplos: alegria, tristeza, depressão, euforia, etc.).
3)      aos espíritos malignos.
Somente o contexto bíblico é que determinará qual espírito as palavras idiomáticas estão se referindo.

Quando falamos de espírito de religiosidade, conforme os significados acima, estamos nos referindo à duas manifestações:
1)      a tendência natural do ser humano de querer construir seus próprios caminhos para chegar-se a Deus, ou para alcançar o favor divino;
2)      a atuação de um demônio especifico, que se identifica para nós como “religião”, pois esta é a sua função, e que atua desde o início da humanidade para afastar o ser humano de Deus.

A atuação deste espírito demoníaco tem entrado e aumentado dentro da Igreja do Senhor Jesus Cristo aqui na terra, e cada vez ele faz mais vítimas, mais cegos, mais religiosos. Ele atua nos descrentes e nos crentes. Como nosso objetivo é falar deste assunto no meio da igreja evangélica, não estarei enfatizando muito a sua atuação no meio de pessoas descrentes, ou seja, de pessoas que ainda não se entregaram totalmente a Jesus Cristo.

Vejamos algumas frases e definições sobre o espírito de religiosidade de homens de Deus que conhecem bem o assunto:
O espírito de religiosidade é a mais forte oposição contra a igreja apostólica, contra cristãos e ministérios efetivos ... Falsos apóstolos e profetas, o espírito de religiosidade e o espírito de Jezabel serão os três principais poderes demoníacos opositores da igreja apostólica dos últimos dias.” Jonas Clark, Effective Ministries and Belivers, pg.43, 121, 136.

Para nos desviar ... , o inimigo usa um dos ataques mais enganadores e mortais sobre a Igreja por meio do espírito religioso ... O confronto da Igreja com o espírito de religiosidade será uma das batalhas épicas dos últimos tempos.” Rick Joyner, Vencendo o Maligno nos Últimos Dias, pg.117, 119.

Eu estou convencido que o espírito de religiosidade é o mais esperto agente de Satanás. Eu creio que este espírito pernicioso tem sido bem sucedido em manter a maioria de nós ignorantes de seus esquemas através dos anos, e assim ele tem alcançado vantagem sobre nós, como a Bíblia diz, assim tem acontecido.” Peter Wagner, Freedom From The Religious Spirit, pg. 9.


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PR. ANDERSON SERAPHIM


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ESPÍRITO DE RELIGIOSIDADE - PARTE 1



Geralmente, quando se fala de religião para qualquer pessoa, logo pensa-se sobre qual igreja ou grupo espiritual se deve fazer parte. O ser humano não consegue associar esta palavra com outro significado, muito menos com o significado verdadeiro desta palavra.

O significado básico da palavra religião vem do latim religare e significa “religar o homem com Deus”.

O ser humano tenta de todas as formas ligar-se ao sobrenatural, só que ele mesmo cria os seus próprios caminhos para alcançá-lo, e, nesta tentativa, inventa diversas divindades que ele considera ser alguém superior, no plano invisível. Ao invés de chegar-se ao único Ser Superior que existe, que é Deus, ele consegue imaginar e inventar outros deuses para si, e, ao invés de satisfazer-se com a presença divina, ainda materializa estas divindades de forma que possa sempre estar em contato físico com ela, e adorá-la da maneira que lhe convém. Outros, quando não adoram uma divindade, fazem de deuses para suas vidas os bens materiais, como casa, carro, dinheiro, etc.; alguns outros fazem dos prazeres a fonte de adoração, como o sexo, a glutonaria, a bebedice, o status, o poder, a sensualidade, a vaidade, etc.; e ainda outros, fazem outras pessoas serem seus deuses, como namorados(as), cônjuges, filhos, amigos, ou pessoas que já partiram desta vida, como familiares ou pessoas que elas mesmas consideravam exemplos de busca ao sobrenatural. Estas não formam e nem são a verdadeira religião.

Se examinarmos, de acordo com a definição acima (que é a definição legítima), o que é, de fato, religião, veremos que existe apenas uma maneira de vivê-la: é através de Jesus Cristo. Se religião é “religar o homem com Deus”, duas perguntas se fazem necessárias:
1)      Quem é esta divindade a que chamam de Deus?
2)      Por que preciso ser re-ligado com esta divindade, isto significa que não estou ligado a ela?

Analisando a Bíblia, aprendemos que esta divindade, a que chamam de Deus, é composta de três pessoas: Deus Pai, Deus Jesus Cristo e Deus Espírito Santo. As três são uma só pessoa. Aprendemos que precisamos ser ligados a Deus novamente porque uma vez decidimos, na pessoa de Adão, nos desligar dEle (Gênesis capitulo 3), e todos nós, seres humanos, nascemos sem qualquer ligação com Ele (Romanos 3:10,12,23). Mas Jesus Cristo morreu por nós para que pudéssemos ser novamente ligados a Ele (2ª Coríntios 5:19). Só através dEle podemos ser re-ligados a Deus (1ª Timóteo 2:5), e de ninguém ou qualquer outra coisa mais. Tudo o que podemos fazer para ligar-nos a Deus não tem valor perante Ele (Isaías 64:6; Romanos 3:10-12; 6:23). Somente através de Jesus Cristo isto é possível. Esta é a VERDADEIRA RELIGIÃO.

A palavra grega traduzida por “religião”, é threskeía. No Léxico Grego-Inglês do Novo Testamento esta palavra é definida como "a adoração de Deus, religião, especialmente conforme se expressa em ofícios ou cultos religiosos". O Dicionário Teológico do Novo Testamento dá outros detalhes, declarando: "A etimologia é controversial; peritos modernos defendem uma ligação com ‘servir’. Pode-se também notar uma distinção de significado. O bom sentido é ‘zelo religioso’, ‘adoração de Deus’, ‘religião’. Mas há também um mau sentido, isto é, ‘excesso religioso’, ‘adoração errada’". Assim, threskeía pode ser traduzido tanto por "religião" como por "forma de adoração", boa ou má. Essa palavra aparece apenas quatro vezes no Novo Testamento. O apóstolo Paulo usou-a duas vezes para referir-se à religião falsa. Em At. 26:5 registra sua declaração de que, antes de tornar-se cristão, viveu “fariseu conforme a seita mais severa da nossa religião". Em sua carta aos Colossenses, ele alertou: “Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos" (Cl. 2:18). Essa adoração de anjos aparentemente era comum na Frígia daqueles dias, mas era uma forma de religião falsa. Curiosamente, ao passo que algumas traduções da Bíblia traduzem threskeía por "religião", em Cl. 2:18, a maioria usa a palavra "adoração".

As outras duas ocorrências da palavra threskeía estão na carta de Tiago. Ele escreveu:

"Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã. A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo"  Tg. 1:26,27

Tiago mostra que a pessoa talvez se considere verdadeiramente religiosa, não obstante, a sua forma de adoração talvez seja fútil. A palavra grega aqui traduzida "fútil" significa também "ociosa, vazia, infrutífera, inútil, impotente, desprovida de verdade". Poderia ser assim no caso de alguém que afirmasse ser cristão, mas não refreasse a sua língua nem a usasse para glorificar a Deus e edificar outros cristãos. Estaria "enganando seu próprio coração", e não estaria praticando "a religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus".

Tiago não enumera todas as coisas que Deus exige com relação à adoração pura. Em consonância com o tema geral de sua carta, que é a fé provada por meio de obras e a necessidade de manter-se livre da amizade com o mundo de Satanás, Tiago realça apenas dois requisitos. Um deles é "cuidar dos órfãos e das viúvas nas suas tribulações". Isto envolve o verdadeiro amor cristão. Deus sempre tem demonstrado preocupação amorosa pelos órfãos e pelas viúvas. (Dt. 10:17, 18; Ml. 3:5). Uma das primeiras medidas dos apóstolos da Igreja do primeiro século, foi em favor de viúvas cristãs. (At. 6:1-6). O apóstolo Paulo deu instruções detalhadas a respeito de zelar amorosamente pelas viúvas idosas, necessitadas, que se haviam mostrado fiéis ao longo dos anos e que não tinham família que as ajudasse. (1ª Tm. 5:3-16).

O segundo requisito para a religião verdadeira mencionado por Tiago é "guardar-se incontaminado do mundo". Jesus declarou: "Meu reino não é deste mundo"; coerentemente, seus seguidores verdadeiros não fariam "parte do mundo" (Jo. 15:19; 18:36).

Outros significados para a palavra religião:
“1) Serviço ou culto a Deus, ou a uma divindade qualquer, expresso por meio de ritos, preces e observância do que se considera mandamento divino;
  2) Sentimento consciente de dependência ou submissão que liga a criatura humana ao Criador;
   3) Crença ou doutrina religiosa; sistema dogmático e moral;
   4) Veneração às coisas sagradas; crença, devoção, fé, piedade;
   5) Tudo o que é considerado obrigação moral ou dever sagrado e indeclinável;
   6) Ordem ou congregação religiosa.”   Dicionário Eletrônico Michaelis

“Religião é quando o homem resolve chegar a Deus pelas suas obras, fazendo alguma coisa, criando regras e fórmulas de se chegar a Ele.”   http://www.comunidadeatosdosapostolos.com.br/site/Conteudo.aspx?id=56

Como a palavra grega threskeía pode ser traduzida tanto por “religião” quanto por “forma de adoração”, e pode ter o sentido tanto verdadeiro quanto falso, é preciso tomar cuidado sobre como entendemos o sentido da palavra, sobre aonde apoiamos a nossa fé. Se a baseamos como Paulo fez (At. 26:5), estamos apoiando em algo falso, que nos leva à perdição; se religião é basearmos nossa fé nos caminhos que fazemos para chegarmos até Deus, não nos resta esperança. Mas se a nossa fé está na verdadeira religião, que é Cristo, e que produz em nós o amor, resultado deste re-ligamento em Deus, como disse Tiago, então estamos no caminho certo.

Quando me perguntam: “A qual religião você pertence?” Eu digo: “Jesus Cristo!” Porque as pessoas entendem que religião é um grupo religioso, que possui determinado conjunto de crenças, que, se for seguido firmemente, traz uma transformação da moral humana. Este tipo de religião faz jus à certas definições da palavra, como vimos, porém não nos liga verdadeiramente a Deus, não nos salva, só nos reforma.

Todo ser humano nasce com uma necessidade de preencher seus pensamentos e sentimentos com algo invisível, sobrenatural, isto é provado pela Bíblia:

“Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim.”   Eclesiastes 3:11

Este vazio que há em nosso coração foi colocado pelo próprio Deus, para que possamos ter a curiosidade de buscar preenchê-lo durante a nossa existência nesse mundo. De alguma maneira em vida, o ser humano tentará preenchê-lo, através dos seus caminhos, como vimos. Porém, este preenchimento só pode ser satisfeito em Deus.

Outra prova que encontramos da necessidade de preenchermos com a presença de Deus o vazio que há em nossos corações está nos versículos abaixo:

“Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se ...”   Romanos 2:14,15

Você já percebeu como tem uma noção muito forte daquilo que é certo é daquilo que é errado? Exemplos: Por que você não sai agora na rua e mata alguém? Porque é contra a sua natureza fazer isto! Por que você não rouba um outro semelhante teu e fica com a consciência tranquila? Porque é contra a sua natureza fazer isto! E outras coisas mais! Porque é contra a sua natureza? Porque, mesmo que você não acredite, foi Deus quem colocou esta consciência em você! Fazer o que é certo está gravado em seu coração (e tudo o que é certo e bom procede de Deus – Tiago 1:17), como dizem os versículos acima, e fazer o errado é contra a sua natureza, quando você o faz é porque está dominado pelo pecado, o mal que há em cada coração humano.

Este vazio que há em cada ser humano e esta necessidade que temos de fazer o que é correto são sinais de que devemos buscar satisfazê-los na verdadeira religião: DEUS!

Relembrando, religião verdadeira não é o que podemos fazer para Deus, mas é o que Ele pode fazer em nós, através de JESUS CRISTO!

Contudo, a necessidade que há de criarmos caminhos para Deus existirá em nós todo o tempo, durante toda a nossa existência neste mundo. E nós temos que lutar contra isto! Temos que, dia após dia, escolher entre viver uma religião ou andar no Espírito Santo e confiar em Deus todo o tempo, e naquilo que Ele escolher para nós, e não confiarmos em nós mesmos!

É aí que entra o ESPÍRITO DA RELIGIOSIDADE!

Continua ...

PR. ANDERSON SERAPHIM
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segunda-feira, 30 de maio de 2011

CRISTÃO PODE FAZER TATUAGENS? TEÓLOGOS E PASTORES DISCUTEM SE É PECADO OU NÃO



“Hoje eu não faço mais tatuagem e não aconselho ninguém a fazer”. Poucas pessoas associariam essa afirmação a Rodolfo Abrantes. Com os braços quase cobertos por tatuagens, muitas do período em que atuou como vocalista da banda secular Raimundos, e a imagem de um candelabro tatuada no pescoço, feita após sua conversão, o músico conta que tatuar-se era algo habitual: “Quando eu me converti, eu continuei fazendo tatuagem porque já fazia muito e eu confesso que não sentia muita paz nisso. Durante meu processo de conversão, senti Deus falar comigo que eu não precisava mais daquilo. Quando decidi parar, senti muita paz. Desde então, nunca mais fiz tatuagem alguma. Quando eu continuei me tatuando depois de convertido, só transferi uma coisa que eu já era para dentro da minha nova vida. E realmente eu não precisava mais disso”.
Em entrevista ao Portal Guia-me, Rodolfo expressou o que pensa hoje sobre tatuagem: “Na real, eu acho que tatuagem é uma grande ‘duma vaidade”. “As pessoas dizem: ‘Eu vou para Jesus, mas eu vou levar tudo o que eu gosto’. Mas têm certas coisas que talvez Deus queira simplesmente tirar do teu coração. Eu interpreto da seguinte forma: quando eu senti que era Deus falando comigo, que era para eu parar de fazer tatuagem, creio que era uma ordem simples, que se eu conseguisse obedecer, eu conseguiria obedecer a ordens maiores também. Eu cumpri e senti uma paz tremenda. Toda vez que eu obedecer a Deus, vou sentir Paz”, explica o cantor.
Vista como forma de expressão, símbolo de rebeldia e juventude, a tatuagem possui diferentes estilos, que vão do tradicional ao maori, estilizado, psicodélico, religioso, tribal, entre outros. Seus temas variam tanto quanto as personalidades das pessoas que as fazem. As imagens escolhidas podem ser definidas pelo contexto histórico, influências musicais, modismos, ideologias e crenças. Crenças que chegaram à igreja e dividem opiniões. Aceita por algumas denominações e pastores, condenada por igrejas e lideranças, a “tatoo” divide opiniões até mesmo em interpretações de trechos bíblicos, como o de Levítico 19:28 – “Não fareis lacerações na vossa carne pelos mortos; nem no vosso corpo imprimireis qualquer marca. Eu sou o Senhor”.
Para o professor de teologia Carlos Vailatti, o versículo faz parte de um contexto maior, um “código de santidade”: princípios para demonstrar ao povo de Israel elementos indispensáveis ao relacionamento com Deus. Na opinião de Valilatti, é importante destacar também a palavra ‘marca’: “Esta palavra é derivada do hebraico qa´aqa´, cujos significados básicos são: ‘incisão, tatuagem’. Já na Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento hebraico – datada do III século a.C.), a palavra ‘marca’ é a tradução do grego stikta, palavra esta derivada do verbo stizo, ‘fazer um sinal com um instrumento agudo ou candente; pintar, tatuar; fazer sinais com golpes’ [...] Deus não quer que Israel pratique esses hábitos pagãos e se comporte como as demais nações que vivem ao seu redor. Deus quer que Israel seja uma nação santa, isto é, uma nação separada para servi-lo e que tenha um estilo de vida diferente das demais”. Para o teólogo, o trecho inicial do versículo de Levítico 19:28, relaciona-se a 1 Reis 18:28: “No confronto entre Elias e os adoradores de Baal no monte Carmelo, onde vemos que estes últimos ‘se retalhavam com facas e com lancetas, conforme o seu costume, até derramarem sangue sobre si”.
No entanto, Sandro Baggio, líder do Projeto 242, igreja que há mais de dez anos trabalha com pessoas da cultura alternativa e dedica-se a missões urbanas, entende que o trecho de Levítico não pode ser aplicado à tatuagem. “Trata-se de uma lei específica direcionada a um povo em particular. Aqueles que querem aplicar essa lei para o contexto de hoje (usando este versículo para proibir as pessoas de fazer tatuagem) precisam estar dispostos a aplicar também os versículos anteriores que proíbem vestir roupas de tecidos diferentes, plantar sementes de diferentes espécies no mesmo jardim e aparar a pontas do cabelo e da barba. As pessoas não estão fazendo tatuagem por causa de qualquer ritual relacionado a mortos, mas como expressão estética”, explica o líder.
Baggio fez a primeira tatuagem em 1988, logo após sua formação no seminário teológico. Para ele, tatuar-se é uma forma de expressão corporal e cultural: “Antes era particular de alguns povos e culturas, mas como o mundo se tornou uma aldeia global, a tatuagem (assim como outras expressões culturais) ganhou espaço nos mais diversos meios e contextos. A única diferença entre fazer uma tatuagem e uma pintura ou mesmo corte de cabelo é que a tatuagem tem uma característica mais permanente e não pode ser removida facilmente. Portanto, exige-se que se pense muito mais antes de se fazer uma tatuagem do que, por exemplo, antes de tingir os cabelos ou fazer dreads neles”.

Símbolo de rebeldia?

Tattoo, do taitiano tatau, significa marcar. O nome foi dado por James Cook, o capitão inglês que descobriu o surfe e, em 1769, ficou admirado ao chegar ao Taiti e ver a população local coberta de desenhos em vez de roupas. A população da região era conhecida como maohis, ou maoris na Nova Zelândia, povo que tatuava-se em rituais ligados à religião. As imagens significavam status e poder, marcavam a passagem da infância para a maioridade, ou contavam as histórias da família e da tribo. Mas, os primeiros registros de pigmentação com tintas sobre a pele remetem há pelo menos 5 mil anos. No Egito, também foram encontradas múmias tatuadas, que datam do período entre 4000 e 2000 a.C.
Na América,tatuar-se também era prática das civilizações maia e asteca. No Japão feudal, criminosos eram marcados para que fossem identificados como maus elementos. Tempos depois, em meio a um forte clima de opressão dos governantes, organizações ostentavam tatuagens como símbolo de transgressão ao poder vigente. Assim, surgiu o famoso dragão da Yakusa, a máfia japonesa, imagem comum de muitas tatuagens no mundo.
Com todo esse contexto histórico, a tatuagem é vista, ainda hoje, como símbolo de rebeldia. O pastor Eduardo Silva, conhecido como pastor Edu, conviveu com muitos “irmãos tatuados” até gravar uma mensagem em seu braço e conta que recebeu com isso muitas críticas. Membro da igreja Renascer em Cristo, foi o primeiro a escrever em seu corpo, a frase “Renascer até morrer”. “A minha motivação veio num momento em que a Igreja sofreu um forte ataque. A intenção dos que nos atacavam era na verdade o fechamento e extinção da Igreja Renascer, como se as portas do Inferno pudessem prevalecer contra a Igreja de Cristo. Muitas pessoas comentavam que a Igreja não sobreviveria a esse momento, isso foi em fevereiro de 2007. Sou pastor desde janeiro de 1993, mas atuo no ministério desde jovem”, conta o Pr. Edu, que revela que a atitude trouxe grande repercussão: “Algumas positivas, outras violentamente negativas. O que me causa estranheza, é que a tatuagem afeta tão somente a minha vida. No que diz respeito à minha comunhão com Deus ou santidade, não aumenta ou diminui. Mas, muitos foram contumazes em dizer que essa atitude era fruto de uma alienação, que éramos como gado marcado etc. Apenas entendo que não devemos julgar para não ser julgados!”. Ele explica a iniciativa narrando a passagem bíblica de II Samuel 15:21: “Em meio à guerra, Davi contava com homens valentes como Itaí (II Sm 15,21), que estavam em aliança, para vida ou para a morte. Não adianta estar em aliança apenas quando tudo vai bem. Baseado nesse princípio é que muitos de nós escolhemos essa frase. A igreja, corpo de Cristo, estava sendo atacada, o rebanho precisava ser protegido e pastoreado e algumas pessoas e instituições se esqueceram desse conceito de corpo! Como pastor, senti o desejo de deixar clara a minha posição em favor do rebanho”.
Para o reverendo Baggio, pessoas que consideram tatuagens símbolos de rebeldia estão “estacionadas no tempo”. ” Hoje em dia, tatuagem não tem absolutamente nada a ver com rebeldia, mas sim com estética. Sem dúvida que há preconceitos por parte de algumas pessoas (religiosas ou não), mas qualquer coisa pode ser passível de preconceito, principalmente expressões culturais. Preconceito é fazer um juízo superficial a partir de idéias ou conceitos pré-estabelecidos. O profeta Samuel fez um ‘pré-conceito’ ao procurar ungir o futuro rei de Israel. Cristãos que seguem a Bíblia não deveriam fazer ‘pré-conceitos’ com relação à aparência das pessoas, mas infelizmente não é isso o que acontece. Pessoas sofrem preconceitos por se vestirem de certa maneira, por causa do seu penteado (ou por não ter nenhum penteado) de cabelo, pelo modo como falam (se sua linguagem não for cheia de chichês evangeliquês, não é espiritual) etc. Eu já sofri preconceitos por todas as coisas, mas geralmente depois que as pessoas me conhecem, elas percebem que tais coisas são superficiais e acabam deixando o preconceito de lado”, narra o reverendo. A segunda tatuagem de Baggio veio para cobrir a primeira. “Aquela velha tatuagem era bem “old school” e no ano passado decidi cobri-la com um novo desenho. A velha tatuagem foi feita com um desenho de uma pomba e uma cruz e eu estava pensando do texto bíblico que diz que Cristo estabeleceu a paz por meio da cruz. A nova tatuagem é um desenho celta do ganso selvagem, o símbolo celta do Espírito Santo. O que esse desenho expressa para mim é a afirmação de que fui selado pelo Espírito e meu desejo profundo de viver a grande aventura da vida guiada por Ele”, expõe o líder do Projeto 242.
Mas, para o professor Carlos Vailatti, a tatuagem pode ser compreendia como elemento de rebelião: “Ela pode representar a aderência aos movimentos da contra-cultura, como, por exemplo, o movimento punk da década de 80, o qual estava associado com formas de protesto social e anarquismo. Além disso, ela também pode ser vista como um símbolo anárquico dentro da própria igreja, de acordo com postura que certas denominações adotam com respeito a ela”.
Fazer-se igual para ganhar os diferentes?
Líder do Projeto 242, que tem como alvo missionário evangelizar pessoas marginalizadas socialmente, como: mendigos, prostitutas e dependentes químicos, Sandro Baggio não compreende a tatuagem ou outros visuais como agentes de evangelização. “Isso depende muito mais do testemunho de vida e caráter, no poder do Espírito Santo, do que na aparência”, aponta.
“Creio ainda que existem tatuagens que são puramente estéticas e muitos irmãos tatuados, são instrumentos para alcançar essas tribos ou grupos alternativos. Muitas pessoas que me perguntavam a respeito da tatuagem acabaram ouvindo a respeito da fé em Jesus e da obra que ele realizou em minha vida. Mas não quero usar esse argumento. Creio que devemos ter acima de tudo respeito e amor. Só pra constar assim que possível vou fazer outra. Tatuados ou não, cabeludos ou não, com maquiagem ou sem, com brinco, com piercing, pentecostal ou tradicional, o que conta mesmo é sermos novas criaturas. No mais, vivamos em paz uns com os outros (I Ts 5,13)”, expressa o pastor da igreja Renascer em Cristo, Edu.
Para o cantor Rodolfo Arantes, o fato de ter tatuagens só o aproxima de outras pessoas tatuadas ou grupos alternativos, à medida que elas o enxergam com uma pessoa mais parecida com Cristo.”Cara, se tem alguma coisa em mim que possa ter atraído alguém, é mais pelas as pessoas que estão fora da igreja e estão vendo: ‘Pô, aquele cara todo tatuado tá pregando. Aquele cara todo tatuado tá fazendo a obra de Deus, aquele cara todo tatuado está adorando Jesus com a guitarra na mão. Quer dizer que eu também posso?’. Eu creio que numa hora dessas, se tem algo que eu possa aproveitar, é mais por poder mostrar que Jesus Cristo renova todas as coisas e que não interessa quem você é, o que você fez, não interessa as marcas que você carrega. Se você entregar sua vida para Deus, ele vai te usar [...] O link que a gente tem que ter com essas pessoas perdidas, com as pessoas que a gente quer alcançar, é o link do amor. Amar as pessoas independentemente das diferenças delas. Às vezes nos afastamos das pessoas que são diferentes, que estão afundadas em trevas, como se a gente tivesse que manter distância, como se fosse contagioso e não é, a gente é que é contagioso, é o nosso amor que vai mostrar se a gente é de Jesus ou não, eu acho que é muito mais por aí”, explica Rodolfo. Para ele, quem busca Jesus está procurando novidade de vida: “Em tudo que eu já li a respeito de Jesus na Bíblia, eu nunca ouvi dizer que ele precisou se parecer com as prostitutas para falar do amor de Deus para elas. Eu nunca o vi tendo que se parecer com o endemoninhado gadareno para falar de Jesus para ele. Tudo o que ele fazia é ser luz nas trevas, é isso o que a gente precisa. Quem faz a diferença na vida de uma pessoa é a Palavra de Deus e não qualquer artifício. Isso é uma estratégia humana muito da ‘mixuruca’ perto do que é o poder de Deus”.
Da mesma forma, o teólogo Vailatti entende que Jesus também interagiu com grupos alternativos e marginalizados de sua época, mas comportou-se de forma diferente. “Acredito que a tatuagem pode sim auxiliar na evangelização de tais grupos, tomando como hipótese que aquele que os evangeliza também está tatuado. Isso cria uma identificação entre ambos. Porém, uma vez que o exemplo a ser seguido pelos cristãos é Cristo (cf. 1 Jo 2.6), temos que ter em mente que o que havia em Jesus que atraía as pessoas era justamente o fato dele ser “diferente”, e não “igual” aos demais. Dito de outra forma, se Jesus vivesse em nossos dias ele certamente não precisaria se tatuar para evangelizar pessoas tatuadas, pelo mesmo motivo pelo qual também não precisou se tornar mendigo para proclamar o evangelho a estas pessoas. Aliás, Jesus também interagiu com os “grupos alternativos” de sua época, tais como “as prostitutas, os leprosos, os mendigos e os coletores de impostos”, dentre outros, os quais, assim como os grupos alternativos de hoje, também eram marginalizados pela sociedade. Todavia, o que atraía as pessoas em Jesus, entre tantas outras coisas, era o seu amor incondicional por elas, o seu respeito pelos excluídos da sociedade e a sua falta de preconceitos para com todos. Jesus conquistava pessoas de todas as camadas sociais não porque se adaptasse a cada uma delas, mas sim porque ele continuava a ser ele mesmo dentro do pluralismo religioso, cultural e social de sua época. Acredito que o nosso maior desafio nos dias de hoje seja evangelizar tais “grupos alternativos” (seja lá quais forem) sem, contudo, perder ou anular a nossa própria identidade”.
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PR. ANDERSON SERAPHIM - JESUS CRISTO NÃO É UMA OPÇÃO DE VIDA, É A ÚNICA FORMA DE VIDA Copyright © 2009 WoodMag is Designed by Ipietoon for Free Blogger Template